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"Je suis Charlie!"

por PlumeInAbyss, em 11.01.15

 "Je suis Charlie.", provavelmente a frase mais usada na última semana em todo o mundo. O que representa? Representa o respeito, admiração por uma redação de cartoonistas que faziam bom ou mau uso (fica ao critério de cada um) de um valor que conquistamos ao longo dos anos, anos preenchidos por batalhas sangrentas, revoltas, avanços e recuos no poder para que no fim seja simplesmente manchada e desvalorizada por um grupo de extremistas que acham que a execução fria e sem escrúpulos de mais de uma dezena de civis e polícias é a única forma de vingar o seu profeta, mas para ser sincero, duvido que esta palavra esteja no vocabulário de um profeta ou de uma divindade. Minto, vingança é bastante usada para definir quais são os pecados a evitar neste mundo, mas cada um interpreta as escrituras sagradas como quiser ou então deixa que alguém incute na sua cabeça, já mais que lavada, com ideias completamente opostas ao que o profeta pretende transmitir. Se não for este o caso, por porque é que há tantos e tantos muçulmanos, espalhados pelo mundo, e apenas uma porção acha que a sua religião deve ser defendida a matar e a defender sabe-se lá o quê.

 

 Bem, mas não me quero alongar, pois nunca na minha vida li tantos jornais (até as letras pequenas foram completamente esmiuçadas) sobre o ato terrorista. A Europa está a atravessar uma crise económica, mas com esta vingança finalmente vai focar-se a sua atenção na área política e promete haver grandes mudanças! Penso que o mais curioso e emocionante é ver como reage a Europa, especialmente quando partidos de extrema direita ganham força, momento mais pertinente era impossível para levarem as suas ideias para todo o país e mundo com a máxima influência. Na minha opinião, não gosto da ideia destes partidos pois não vai ser a expulsar pessoas de religiões diferentes, apontadas como possíveis ameaças à segurança, que os ataques cessarão, que o ódio e a vingança se extinguirão ... não, depois de tantos anos de evolução só vejo o mundo moderno retroceder.

 

 Em resumo, arrepiou-me ver tanta gente a homenagear as vítimas mas, acima de tudo, a defender o direito à livre expressão. Neste espaço que o sapo dispõem para todos criarmos um mundo alicerçado pelas nossas palavras e imagens, independentemente do que escrevemos e que opiniões defendemos, sabemos que este direito é muito importante e em alturas como estas não devemos esconder os nossos sentimentos e a nossa coragem, a união faz a força. Este ato de violência é prova que palavras não matam mas causam medo e danos duradouros. Palavras e imagens são à prova de bala, infelizmente não posso dizer o mesmo dos seus autores, mas nas suas obras permanecerá o seu testamento para o mundo, as suas memórias e as suas ideias. Este direito nunca será apagado, podem abalar a sua existência mas tenho a certeza que a liberdade não se perderá, aliás tenho esperanças que chegue aos pontos mais "inacessíveis" do planeta nos próximas décadas.

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6 comentários

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De Edna Silva a 19.01.2015 às 18:26

Sobre este tema do "Je suis Charlie" só posso dizer que concordo com o que o Gustavo Santos disse e algo que o Papa Francisco disse quando esteve nas Filipinas: "Com a Fé não se brinca."
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De PlumeInAbyss a 25.01.2015 às 23:16

Infelizmente, muitas pessoas são escravas de ideais inexistentes, vítimas da ignorância. Eu não sou a favor ou contra a religião. Eu não sou a favor ou contra as publicações do Charlie. Mas sou e serei sempre a favor da liberdade de expressão e contra todos aqueles que a ameacem. Acho essa ideia de "com a fé não se brinca" muito retrógrada. São questionáveis os cartoons e os limites que ultrapassaram mas punir com a morte é bárbaro e para isso não existem desculpas.

Agradeço o comentário e fica à vontade para discutir este ou qualquer outro assunto.
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De Edna Silva a 25.01.2015 às 23:29

Só tenho uma dúvida, se já sabemos que os praticantes daquela religião não admitem grande coisa, que são dogmáticos e por ai fora, se já sabemos que eles reagem sempre ou quase sempre assim, com atentados e mortes, para que provocar? A meu ver, e a ver de outros simplesmente os cartoons não passaram de "provocações" e gozo. Não concordo com os atos deles(jiahdistas), violência só gera violência, tantas mortes por causa de uns desenhos?! Que haja liberdade de expressão, mas a liberdade deles acaba quando interege e põe em causa a liberdade dos outros. Fique esclarecido que não defendo ps jiahdistas, nem defendo os cartoonistas, não defendo ninguém, ninguém devia ter morrido, ninguém merece, simplesmente acho que há coisas que não se deve fazer.
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De PlumeInAbyss a 26.01.2015 às 00:24

Eu percebo o teu ponto de vista mas eles apenas expuseram as suas ideias. Como já disse, os cartoons são questionáveis, mas o ponto mais importante é o medo. Não podemos deixar de exercer um direito que ganhamos com muito esforço, ao longo dos anos, só porque alguns fanáticos não gostam. Se recuarmos e obedecermos às suas ordens estaremos a ser dominados pelo medo. Isso é o que os terroristas pretendem. Já conseguiram instalar uma grande confusão política, especialmente na França.

Resumidamente, concordo com o que dizes, eles deveriam ter pensado melhor nas consequências de criticar um grupo tão violento e perigoso, especialmente depois de terem recebido várias ameaças. Mas não podemos ceder ao medo, especialmente a atos tão bárbaros e sem escrúpulos como os que infelizmente presenciamos.
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De Sara a 27.01.2015 às 00:04

Quando nos começarmos a censurar a nós próprios a onde é que isto vai parar? Não há assuntos intocáveis, tudo deve ser debatido e a sátira serve precisamente para fazer as pessoas pensarem na realidade que as cerca, aliás humilhação e sátira são duas coisas bem diferentes. Ceder é fazer-lhes a vontade...Infelizmente este assunto tem dado pano para mangas e lê-se muita coisa absurda. Gostei do texto e concordo...

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De PlumeInAbyss a 29.01.2015 às 00:25

Exatamente o que eu penso, estes grupos extremistas são constantemente criticados em todo o mundo pelos seus atos, os cartoonistas do Charlie apenas criticaram como todos os outros, mas de uma forma original e, para algumas pessoas, de forma agressiva, estúpida e sem piada. "Estavam a pedi-las!". Estes comentários demonstram que as pessoas ainda não têm a perceção do poder que a escrita tem. Mostra que muitas pessoas já cederam, exatamente o que os terroristas querem ver.

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